RELACIONAMENTOS “AMOROSOS”
“É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.” Sarah Westphal Batista da Silva
Há muito venho pensando em escrever coisas do cotidiano neste blog. Saudades de escrever algo que realmente preste aqui neste espaço, algo que falasse um pouco mais de mim, algo que desse aos meus futuros netos uma noção maior do que realmente sou (ou fui, dependendo de quando eles lerão isso).
O fato é que, por PREocupações relacionadas a coisas que eu dei mais importância do que realmente tinham, deixei de lado muitos e muitos textos que deveriam estar aqui e, por um momento, nasceram e praticamente morreram na minha cabeça.
Assuntos aleatórios como trabalhadores que acordam de madrugada para ganhar o sustento da família, relacionamentos, como acredito que mulheres devem portar-se em determinadas situações, o saber perdoar, o saber alçar voos, a coragem de olhar para o passado, bater no peito e recomeçar custe o que custar, a preocupação excessiva que temos com “o que vão pensar de mim”… esses são apenas alguns dos temas que deixei passar, são alguns dos temas que, por vezes, até cheguei a rabiscar algumas coisas mas, no final das contas, não passou de um QUASE.
Pois bem, aqui estou outra vez sem saber ao certo o que vou escrever e, muito menos, o tamanho desse texto. Aqui pretendo falar um pouco mais desse cara que é o Alex e a forma como eu REALMENTE enxergo a vida e a forma como eu acredito que devo seguir, ainda que muitas vezes não o tenha feito.
RELACIONAMENTOS “AMOROSOS”
Eu gostaria muito de usar o mínimo de aspas possíveis neste texto mas as uso em demasia por ter a certeza que poucos que lerão este texto realmente entenderiam o que quero dizer se as tais aspas não fossem colocadas em determinadas palavras.
Já ouvi MUITO que sou um homem complicado de se entender mas desafio a qualquer uma dessas garotas que me mostrem onde os homens simples postam suas idéias. As minhas estão aqui prontas para serem dissecadas e as escrevo da forma mais clara possível.
Talvez eu já tenha escrito em algum texto desse blog sobre a minha primeira paixão, uma garotinha da primeira escolinha onde coloquei os pés. Lembro que cheguei a sonhar com ela e… um filho? Pois é. O primeiro conceito que tive de relacionamento a dois estava diretamente ligado a família. Na inocência de criança, não lembro de ter imaginado, nem mesmo, beijando a tal garotinha. Quem sabe mãos dadas, no máximo. Mas lembro muito bem da cena de chegarmos no portão da minha madrinha preparados para um almoço familiar de domingo.
Sinceramente não lembro qual foi a próxima manifestação sentimental que tive nesse aspecto após esse episódio. Só posso dizer que foram muitas e, obviamente, incontáveis.
Ainda quando criança posso dizer que a malícia foi sendo aflorada em mim até descobrir, numa biblioteca, que aquele negócio não servia só pra fazer xixi. Apesar da novidade o maior trauma foi aceitar que minha mãe tinha feito aquilo. Obviamente que a mãe de meus colegas, tudo bem mas, a minha??? Lógico que foi da cegonha que vim.
A transição da infância para a adolescência também foi marcada por sonhos, inclusive, no que diz respeito a relacionamentos. É óbvio que os hormônios não me deixavam indiferente com os rostos e corpo das menininhas que começavam a mudar mas nunca deixei de lado o real desejo de andar de mãos dadas com alguém e, mesmo precocemente, falar de futuro, falar de planos.
O tempo foi passando, aconteceu o primeiro beijo, carinhos mais ousados e, ainda assim, não largava da mania de não querer compreender que havia algo meio esquisito naquela beijação toda dos caras da minha idade. Alguns deles até hoje contabilizam quantas beijam numa balada ou mesmo quantas já levaram pra cama. Se eu os invejo? Pô, invejar? Eu? Logo eu que sempre olhei as coisas de uma forma mais séria? Acham mesmo que eu invejaria esses caras que ja pegaram tantas mulheres? Bah… é lógico que… invejo sim, viu! Não conheço homem que, por mais sério que seja, não quisesse ter uma adolescência cheio de mulheres por perto e, se tiver, provavelmente está mentindo. Opinião minha! Assim como não conheço mulher alguma que não tenha gostado desse tipo de cara. Aliás, TODAS pagavam um pau pra um cara assim! Já cheguei a ouvir de mulher “o que mais me chateava é que ele pegava todas mas não me pegava!”. Vai vendo! Até hoje é assim. Mulherada que me desculpe mas o que vocês curtem mesmo é cara cafajeste, aquele mais popular entre as meninas, aquele cara ativo, que joga bola, fala palavrão, cospe no chão, sem camisa, com um copo numa mão, um cigarro na outra e, sabe-se lá com que mão, ainda dá aquela coçada sem pudores.
Mas não é de julgamento que quero falar. Quero falar de como ajo, como encaro esse tipo de coisa ou, como eu acredito que eu deveria agir nesse tipo de caso. Muito simples e invento uma historinha pra ilustrar como.
O segredo para que QUALQUER tipo de relacionamento dê certo é o interesse mútuo em coisas específicas. Um certo assunto, uma certa atividade, um determinado momento…
Quem é que nunca terminou um dia com um beijo não premeditado?
Um cara sai de casa meio chateado com coisas pessoais, trabalho, rotina, família, faculdade e, pra completar, aquele aperto no metrô, daqueles que a gente não precisa se segurar para não cair. Trem que não anda, entre as estações e uma garota na sua frente que não para de olhar para o relógio do cara do lado segurando naquele ferro, no alto do vagão e, num breve movimento do trem, outro tranco de parada e o bater de corpos seguido do pedido meigo de desculpas da garota com o aceite do cara seguido do comentário que, pior que trem parado, era a impossibilidade de apresentar o trabalho da noite na faculdade. Daí pra frente começa aquele “onde você estuda”, “o que você faz?”, “trabalha em que?” e, depois de uns 10 minutos de trem parado já começam perguntas mais pessoais “e fim de semana só descanso, né?”, “ah, você costuma ir lá também?” e as eventuais coincidências começam a aparecer “achei que fosse só eu ficava em dúvida entre comer o salgadinho ou beber o suco para ficar com o último gosto na boca!”, “sério que você assiste essa série?”, “não acredito que você teve aula com ele!”. O atraso do trem já encerrou por ali as atividades acadêmicas e a estação é propícia para aquele passeio no Shopping do metrô. Na praça de alimentação, papo vai, papo vem, emenda com um cineminha e um beijo acontece.
Já recebeu ligação por engano? “Ah, desculpa, é que o seu prefixo é igual ao meu e seu sufixo é o da amiga que eu tava ligando” – “É mesmo? Então se seu prefixo é igual ao meu, sinal que você mora perto, né?“ Deduziram o final, né? (…)
Naquele quarto com a galera toda reunida e um sai pra beber água, a outra vau junto, alguém diz ter esquecido a câmera no carro e uns dois dizem que vão dar uma saidinha e já voltam. Com tanta gente arranjando o que fazer e saindo do quarto, você, começando a entender o que está acontecendo, olha para os lados e se depara, apenas, com aquela garota. (…)
E noutro causo do reencontro com a ex, olhares destreinados e papos sem muito sentido e intimidados por um passado de uma história bonita. Os tempos são outros. Ambos teoricamente mais maduros e um “minha mãe queria te ver” falado meio que sem querer e um aceite da ida até a casa da garota que, chegando lá, propositalmente ou não, está vazia. (…)
Que fique na cabeça de quem lê a dedução do que é invenção e do que é verídico mas uma coisa é certa, não há nenhum absurdo que impeça que qualquer uma dessas histórias aconteça.
A questão maior é que, por um momento, algo uniu esses personagens, esses casais e vai dos mesmos continuarem algo ou pararem por aí.
Um telefone tocando, uma mensagem no MSN, uma comunidade em comum nas redes de relacionamento ou simplesmente o querer conversar, estar junto, pode fazer com que essas pessoas se vejam de novo e daí um simples bate papo e um até logo ou mesmo outro beijo. E, futuramente, um novo querer de se ver que, por algum motivo, pode ser impossibilitado pela não vontade ou outros compromissos do outro mas, se o reencontro acontecer, quem sabe um bate papo e um tchau ou, então, um novo beijo e maiores intimidades.
Onde quero chegar nesse vai e vem (ou só vai) é que o que une as pessoas são sempre interesses comuns e que não temos o direito de querer mudar o interesse do outro.
Enquanto os interesses forem comuns, teremos alguém pra conversar;
Enquanto os interesses forem comuns, teremos alguém pra beijar na boca;
Enquanto os interesses forem comuns, teremos alguém para carícias mais calientes.
E por aí vai. Absolutamente NADA impede que qualquer uma dessas pessoas suma por um tempo, por novos interesses. Agora, sumindo ou não, retornando ou não. No dia em que for firmado que os interesses de determinada pessoa for, de fato, muito próximo aos meus, de modo que minha liberdade signifique, por espontânea vontade, estar ao lado desse alguém, e vice versa, nesse dia terei conhecido a futura mãe de meus filhos, aquela que hei de chamar de minha esposa e que eu possa até já ter conhecido mas esse tipo de coisa é semelhante a um “eu te amo” sincero, olhado nos olhos e, não raro, lacrimejando. Uma declaração madura do maior sentimento que pode existir e quando este momento chegar, é sinal de que esse amor já existe há muito tempo.
E que os cuecas e indecisos terminem de ler esse texto por aqui porque a próxima linha já não é pro bico de vocês.
Você que tá terminando de ler esse texto agora, quem sabe não seja você quem eu me refiro nesse último parágrafo maior? Não, não tô falando da outra que leu, tô falando de você!!! Mas não quero que pense que seja, por outro lado, a gente pode conversar, se conhecer de verdade, dar risada juntos, passar a limpo algum passado e ser apenas amigos ou, quem sabe…





Olá lindo! Realmente você é surpreendente!!!